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brasil – Oswald de Andrade

08/01/2016

O Zé Pereira chegou de caravela
E preguntou pro guarani da mata virgem:
— Sois cristão?
— Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte
Teterê Tetê Quizá Quizá Quecê!
Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu!
O negro zonzo saído da fornalha
Tomou a palavra e respondeu
— Sim pela graça de Deus
Canhém Babá Canhém Babá Cum Cum!
E fizeram o Carnaval.

(“brasil”. Oswald de Andrade. Extraído de: Brasil, 1920-1950: da antropofagia a Brasília. MAB-FAAP Museu de Arte. 30 novembro 2002 a 02 março 2003, pp. 301-302. )

Abaporu, Tarsila do Amaral

“Abaporu”, 1928, Tarsila do Amaral, óleo sobre tela, Coleção particular. Encontra-se exposto no Museu de arte latino-americana de Buenos Aires (MALBA).

“Bridge Over Troubled Water” – Simon & Garfunkel

07/01/2016

Paul Simon & 'Art' Garfunkel When you’re weary, feeling small
When tears are in your eyes,
I will dry them all
I’m on your side when times get rough
And friends just can’t be found,

Like a bridge over troubled water
I will lay me down
Like a bridge over troubled water
I will lay me down

When you’re down and out,
When you’re on the street,
When evening falls so hard
I will comfort you,
I’ll take your part when darkness comes
And pain is all around,
Like a bridge over troubled water
I will lay me down
Like a bridge over troubled water
I will lay me down.

Sail on silvergirl,
Sail on by.
Your time has come to shine.
All your dreams are on their way.
See how they shine.
If you need a friend
I’m sailing right behind.
Like a bridge over troubled water
I will ease your mind.
Like a bridge over troubled water
I will ease your mind.

(“Bridge Over Troubled Water”. Interpreters: Paul Simon & Arthur ‘Art’ Garfunkel. Composer: Paul Simon. Youtube video here)

Sê inteiro – Ricardo Reis

07/01/2016

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.

Põe quanto és
No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive

(“Sê inteiro”. Ricardo Reis. Heterônimo de Fernando Pessoa)

Man and Woman Contemplating the Moon, Caspar David Friedrich

“Homem e Mulher Contemplando a Lua”,  c. 1830-1835, Caspar David Friedrich, óleo sobre tela,  Antiga Galeria Nacional, Berlim, Alemanha

Resposta ao Tempo – Nana Caymmi

04/01/2016

Nana CaymmiBatidas na porta da frente
É o tempo
Eu bebo um pouquinho
Prá ter argumento

Mas fico sem jeito
Calado, ele ri
Ele zomba
Do quanto eu chorei
Porque sabe passar
E eu não sei

Num dia azul de verão
Sinto o vento
Há folhas no meu coração
É o tempo

Recordo um amor que perdi
Ele ri
Diz que somos iguais
Se eu notei
Pois não sabe ficar
E eu também não sei

E gira em volta de mim
Sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro
Sozinhos

Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto

E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Prá tentar reviver

No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer

Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto

E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Prá tentar reviver

No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, e ele não vai poder
Me esquecer

No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer

(“Resposta ao Tempo”. Intérprete: Nana Caymmi. Composição: Aldir Blanc/Cristovão Bastos. Video Youtube aqui.)

“Quando, Lídia, Vier o Nosso Outono” – Ricardo Reis

04/01/2016

Quando, Lídia, vier o nosso outono
Com o inverno que há nele, reservemos
Um pensamento, não para a futura
Primavera, que é de outrem,
Nem para o estio, de quem somos mortos,
Senão para o que fica do que passa
O amarelo atual que as folhas vivem
E as torna diferentes.

(Ricardo Reis. In: Odes. Heterônimo de Fernando Pessoa)

Autumn Day. Sokolniki, Isaak Il'ich Levitan

“Dia de Outono”, 1879, Isaak Il’ich Levitan, óleo sobre tela, Galeria Tretyakov, Moscou, Russia.

“The Long and Winding Road” – The Beatles

04/01/2016

The Beatles The long and winding road
That leads to your door
Will never disappear
I’ve seen that road before
It always leads me here
Lead me to your door.

The wild and windy night
That the rain washed away
Has left a pool of tears
Crying for the day.
Why leave me standing here?
Let me know the way.

Many times I’ve been alone
And many times I’ve cried,
Anyway you’ve always known
The many ways I’ve tried.

And still they lead me back
To the long, winding road
You left me standing here
A long, long time ago
Don’t leave me standing here
Lead me to your door.

But still they lead me back
To the long winding road
You left me standing here
A long, long time ago (ohhh)
Don’t keep me waiting here (don’t keep me waiting)
Lead me to your door. (yeah yeah yeah yeah)

(“The Long and Winding Road”. Interpreters: The Beatles. Composers: John Lennon; Paul McCartney. Youtube video here)

Para Além da Curva da Estrada – Alberto Caeiro

03/01/2016

Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
Há a estrada sem curva nenhuma.

(Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. In: Poemas Inconjuntos. Cf. PESSOA, Fernando. Poemas Completos de Alberto Caeiro. São Paulo: Nobel, 2008, p. 89. E-book aqui)

Bend in Road, Paul Cézanne

“Curva na Estrada”, Paul Cézanne, Galeria Nacional de Arte, Washington, D.C.

“With or Without You” – U2

03/01/2016

U2 See the stone set in your eyes
See the thorn twist in your side
I wait for you

Sleight of hand and twist of fate
On a bed of nails she makes me wait
And I wait without you

With or without you
With or without you

Through the storm we reach the shore
You gave it all but I want more
And I’m waiting for you

With or without you
With or without you
I can’t live
With or without you

And you give yourself away
And you give yourself away
And you give
And you give
And you give yourself away

My hands are tied, my body bruised
She got me with
Nothing to win and
Nothing left to lose

And you give yourself away
And you give yourself away
And you give
And you give
And you give yourself away

With or without you
With or without you
I can’t live
With or without you

With or without you
With or without you
I can’t live
With or without you
With or without you

Yeah, we’ll shine like
stars in the summer night
We’ll shine like
stars in the winter light
One heart, one hope, one love

With or without you
With or without you
I can’t live
With or without you
With or without you

(“With or Without You”. Interpreter: U2. Composers: Adam Clayton, Bono Vox, Larry Mullen Jr., The Edge. Youtube video here)

Drummond no início do ano

03/01/2016

Memória

Carlos Drummond de AndradeAmar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

(Carlos Drummond de Andrade. In: Claro Enigma)

Cortar o Tempo

Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a
que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no
limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e
entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação
e tudo começa outra vez,
com outro número
e outra vontade de acreditar
que daqui pra diante vai ser diferente.

(Atribuído a Carlos Drummond de Andrade. Porém, não consta no livro "Antologia Poética" nem em "CDA – Poesia Completa". Seja como for, talvez Drummond concordasse com o texto)

“Moro entre o dia e o sonho” – Rainer Maria Rilke

26/12/2015

Rainer Maria Rilke Moro entre o dia e o sonho.
Onde cochilam crianças, quentes da correria.
Onde velhos para a noite sentam
e lareiras iluminam e aquecem o lugar.

Moro entre o dia e o sonho.
Onde tocam claros sinos vesperais
e meninas, perdidas da confusão,
descansam à boca do poço.

E uma tília é minha árvore querida;
e todos os verões que nela se calam
movem outra vez os mil galhos,
e acordam de novo entre o dia e o sonho.

(Rainer Maria Rilke, 1875-1926, importante poeta de língua alemã)